: / Direto da Guatemala
Entrevista com Alvaro Sanchez
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Quem acompanha as atualizações da Brócolis já conhece algumas produções da La Llorona e Milanesa Filmes, que nos chegam da Guatemela através de nosso companheiro Alvaro Sanchez. Nesta entrevista, realizada por e-mail, Alvaro gentilmente respondeu algumas questões.


Como iniciou seu contato com o video?
Bem, estou tentando lembrar como foi meu primeiro contato com video e cinema... E eu acho que uma da minhas maiores influências é a música, ela me leva ao vídeo e ao cinema. Eu não sou um músico mas eu aprecio muito a música. Então, quando eu comecei a assistir videos-clips, eu curti muito o fato deles serem como histórias, e não somente como uma colagem de imagens. Outra grande influência foi meu pai, que sempre me levava para assistir filmes umas três vezes por semana, e não somente aos finais de semana. Lembro-me de ir em um velho cinema assistir os filmes do Bruce Lee e todos os filmes de zumbi. Descobri que existia algo mais do que os filmes de Hollywood, e estou falando aqui dos filmes B, que eu realmente acho maravilhosos; todo o gênero de horror, sex, groovy trash, etc e também os trabalhos de realizadores experimentais. Foi quando eu descobi que um vídeo poderia ser muito cool desde que trabalhado de um modo criativo.


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Como surgiu a La Llorona Films? E a Milanesa Filmes?
La Llorona films apareceu de repente! Foi quando eu decidi fazer meu primeiro video, o Historia de la Calle. Eu queria fazer algo estranho, então porque não começar com alguém muito estranho como como o Mr.Chan (o personagen do video). Então um dia, eu estava conectado na rede tentando encontrar mais sobre video experimental, e descobri que existiam web pages que mostravam videos on line, então eu disse: "Ok, que porra é essa, vamos tentar!". Eu mandei o trabalho e um mês depois ele estava na internet. É claro que depois de alguns meses e meses de procura, encontrei alguém para ajudar na edição do filme - uma coisa bem complicada aqui na minha terra. Mas antes disso, eu pensei "o video tem que ter um nome, uma produtora", e aí eu pensei em algo da cidade porque eu gosto de todas as coisas meio assustadoras, então eu pensei em LA LLORONA, a mulher chorando no rio, gritando por seu filho perdido...


Historia de la calle   Monotony  Monimo


Depois disso, um de meus melhores amigos, Carlos Sandoval, convidou-me para essa coisa louca. Um dia nós falamos: "vamos fazer outro filme", e foi o Monotony. A idéia apareceu há uns 4 anos atrás, Carlos e eu nessa época estávamos trabalhando em uma companhai de finanças, o pior emprego que alguém poderia ter, sempre acordando cedo, checando o tempo, computadores, pessoas aborrecidas, número e números, tendo que ligar para pessoas depressivas, e nós já estávamos nessa há uns 6 meses - o suficiente para criar uma série de piadas divertidas sobre esse emprego e o quanto ele deixava as pessoas doentes -, então nós decidimos fazer um filme para prepresentar esse pesadelo. De algum modo, queríamos mostrar quão doente e depressiva a vida pode ser, quando as pessoas estão enredadas na monotonia, que nos torna prisioneiros de um sistema invisível, e aí pegamos a handycam de meus pais, uma câmera bem velha e gravamos Monotony. E é mais ou menos por aí que a LA LLORONA FILMS surgiu...

Agora como a MILANESA FILMES surgiu, bem, aí é outra história. A MILANESA FILMES são 4 caras que curtem o mesmo tipo de som, o mesmo cinema, que têm enfim interesses em comum. São eles: Rodrigo Calderón, Alvaro Sánchez, Abner Recinos e Carlos Sandoval. Eu já trabalhava com o Rodrigo e o Abner na mesma agência de propaganda onde nós criávamos como designers gráficos, e aí nos reunimos para produzir, pois curtimos muito passar os finais de semana assistindo dezenas de filmes estranhos de David Lynch, David Fincher, Danny Boyle, Jan Kounen, Jean Luc Godard, Jarmusch, etc. etc. Então um dia o Rodrigo chegoue disse: "Caras, estou indo para Nova York estudar cinema". E aí ele foi e retornou com muitas referências novas, e muito afim de produzir. Enquanto isso, eu e o Abner continuamos trabalhando e adquirindo mais experiência com o imagem publicitária, gravando comerciais para agência e tal, e aí reunimos nossas forças e começamos a criar coisas juntos e nós falamos com nosso ator Carlos e ele topou encarnar mais um personagem e assim surgiu o Monimo, da Milanesa filmes que pretendemos tocar para frente com novas produções.


Como está o cenário da produção audiovisual na Guatemala?

Falar sobre a produção audiovisual aqui na Guatemala é uma coisa muito difícil de explicar porque alguns pontos são bem estranhos. Existem uns poucos filmes aqui em toda a história do cinema nesse país. De 5 anos pra cá, as pessoas estão tentando fazer algo, mas não há estrutura suficiente para produzir com mais frequência, e isso pelo mesmo fato do governo estar mais interessado em continuar roubando nosso dinheiro do que investir nas artes, principalmente no cinema nacional. Isto é um grande obstáculo. Então, poucas produtoras estão trabalhando com os pequenos recursos disponíveis para poder produzir mais, nós estamos crescendo passo a passo e é claro, como em qualquer situação, você vai encontrar no caminho boas coisas e coisas más, muito más.

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Em tuas produções é recorrente a representação da sexualidade e da violência, do corpo fragmentado e do sujeito imerso em um cotidiano massacrante. Qual é a importância de trabalhar com essas temáticas?

Humm, essa questão é bastante interessante porque até eu pergunto para mim mesmo porque gosto dessas coisas e minha conclusão é que de certo modo eu estou exposto para todas essas coisas em minha própria vida cotidiana, quando vou em um café ou em uma pequena loja e fico olhando atentamente as pessoas aborrecidas em seu dia-a-dia... é muito intressante, pois as pessoas pensam que elas podem esconder aqueles sentimentos, mas elas não podem fazer isso porque está inscrito em suas faces. No caso da violência, ela está estampada em qualquer jornal e você pode ficar chocado, a violência está em todos lugares, está perto de você, em países como a Guatemala você aprende a conviver com a violência e eu não sei se eu penso nisso de um modo subconsciente, se você aprende a viver, gostar ou até amar o som estanho da violência, pode ser... Quanto à sexualidade, bem... penso que tudo gira em torno do sexo e você pode viver ou morrer pelo sexo, o que significa que o sexo é um dos grandes motores do mundo, uma problemática que lidera outras coisas e eu não sei como, mas eu amo essa temática e quero experimentar mais com isso e encontrar outros modos de falar sobre isso de um modo criativo, eu não sei se estou obsecado com isso ou se é apenas mais modo de buscar a provocação...


Deixe um recado final para nossos leitores...

Meu recado final para todas as pessoas é que o final do mundo está chegando, então apóie o vídeo independente e esses caras da Brócolis VHS porque eles estão detonando! Isto é maravilhoso.Obrigado por tudo!!!

 

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