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Como iniciou seu contato com o video?
Bem, estou tentando
lembrar como foi meu primeiro contato com video e cinema... E eu acho
que uma da minhas maiores influências é a música,
ela me leva ao vídeo e ao cinema. Eu não sou um músico
mas eu aprecio muito a música. Então, quando eu comecei
a assistir videos-clips, eu curti muito o fato deles serem como histórias,
e não somente como uma colagem de imagens. Outra grande influência
foi meu pai, que sempre me levava para assistir filmes umas três
vezes por semana, e não somente aos finais de semana. Lembro-me
de ir em um velho cinema assistir os filmes do Bruce Lee e todos os filmes
de zumbi. Descobri que existia algo mais do que os filmes de Hollywood,
e estou falando aqui dos filmes B, que eu realmente acho maravilhosos;
todo o gênero de horror, sex, groovy trash, etc e também
os trabalhos de realizadores experimentais. Foi quando eu descobi que
um vídeo poderia ser muito cool desde que trabalhado de um modo
criativo.
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Como
surgiu a La Llorona Films? E a Milanesa Filmes?
La Llorona films apareceu de repente! Foi quando eu decidi
fazer meu primeiro video, o Historia
de la Calle. Eu queria fazer algo estranho, então porque
não começar com alguém muito estranho como como o
Mr.Chan (o personagen do video). Então um dia, eu estava conectado
na rede tentando encontrar mais sobre video experimental, e descobri que
existiam web pages que mostravam videos on line, então eu disse:
"Ok, que porra é essa, vamos tentar!". Eu mandei o trabalho
e um mês depois ele estava na internet. É claro que depois
de alguns meses e meses de procura, encontrei alguém para ajudar
na edição do filme - uma coisa bem complicada aqui na minha
terra. Mas antes disso, eu pensei "o video tem que ter um nome, uma
produtora", e aí eu pensei em algo da cidade porque eu gosto
de todas as coisas meio assustadoras, então eu pensei em LA LLORONA,
a mulher chorando no rio, gritando por seu filho perdido...
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Depois
disso, um de meus melhores amigos, Carlos Sandoval, convidou-me para essa
coisa louca. Um dia
nós falamos: "vamos fazer outro filme", e foi o Monotony.
A idéia apareceu há uns 4 anos atrás, Carlos e eu
nessa época estávamos trabalhando em uma companhai de finanças,
o pior emprego que alguém poderia ter, sempre acordando cedo, checando
o tempo, computadores, pessoas aborrecidas, número e números,
tendo que ligar para pessoas depressivas, e nós já estávamos
nessa há uns 6 meses - o suficiente para criar uma série
de piadas divertidas sobre esse emprego e o quanto ele deixava as pessoas
doentes -, então nós decidimos fazer um filme para prepresentar
esse pesadelo. De algum modo, queríamos mostrar quão doente
e depressiva a vida pode ser, quando as pessoas estão enredadas
na monotonia, que nos torna prisioneiros de um sistema invisível,
e aí pegamos a handycam de meus pais, uma câmera bem velha
e gravamos Monotony.
E é mais ou menos por aí que a LA LLORONA FILMS surgiu...
Agora
como a MILANESA FILMES
surgiu, bem, aí é outra história. A MILANESA FILMES
são 4 caras que curtem o mesmo tipo de som, o mesmo cinema, que
têm enfim interesses em comum. São eles: Rodrigo Calderón,
Alvaro Sánchez, Abner Recinos e Carlos Sandoval. Eu já trabalhava
com o Rodrigo e o Abner na mesma agência de propaganda onde nós
criávamos como designers gráficos, e aí nos reunimos
para produzir, pois curtimos muito passar os finais de semana assistindo
dezenas de filmes estranhos de David Lynch, David Fincher, Danny Boyle,
Jan Kounen, Jean Luc Godard, Jarmusch, etc. etc. Então um dia o
Rodrigo chegoue disse: "Caras, estou indo para Nova York estudar
cinema". E aí ele foi e retornou com muitas referências
novas, e muito afim de produzir. Enquanto isso, eu e o Abner continuamos
trabalhando e adquirindo mais experiência com o imagem publicitária,
gravando comerciais para agência e tal, e aí reunimos nossas
forças e começamos a criar coisas juntos e nós falamos
com nosso ator Carlos e ele topou encarnar mais um personagem e assim
surgiu o Monimo,
da Milanesa filmes que pretendemos tocar para frente com novas produções.
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Como está o cenário da produção audiovisual na Guatemala?
Falar sobre a produção audiovisual aqui na Guatemala é
uma coisa muito difícil de explicar porque alguns pontos são
bem estranhos. Existem uns poucos filmes aqui em toda a história
do cinema nesse país. De 5 anos pra cá, as pessoas estão
tentando fazer algo, mas não há estrutura suficiente para
produzir com mais frequência, e isso pelo mesmo fato do governo
estar mais interessado em continuar roubando nosso dinheiro do que investir
nas artes, principalmente no cinema nacional. Isto é um grande
obstáculo. Então, poucas produtoras estão trabalhando
com os pequenos recursos disponíveis para poder produzir mais,
nós estamos crescendo passo a passo e é claro, como em qualquer
situação, você vai encontrar no caminho boas coisas
e coisas más, muito más.
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Em tuas produções é recorrente a representação
da sexualidade e da violência, do corpo fragmentado e do sujeito
imerso em um cotidiano massacrante. Qual é a importância
de trabalhar com essas temáticas?
Humm,
essa questão é bastante interessante porque até eu
pergunto para mim mesmo porque gosto dessas coisas e minha conclusão
é que de certo modo eu estou exposto para todas essas coisas em
minha própria vida cotidiana, quando vou em um café ou em
uma pequena loja e fico olhando atentamente as pessoas aborrecidas em
seu dia-a-dia... é muito intressante, pois as pessoas pensam que
elas podem esconder aqueles sentimentos, mas elas não podem fazer
isso porque está inscrito em suas faces. No caso da violência,
ela está estampada em qualquer jornal e você pode ficar chocado,
a violência está em todos lugares, está perto de você,
em países como a Guatemala você aprende a conviver com a
violência e eu não sei se eu penso nisso de um modo subconsciente,
se você aprende a viver, gostar ou até amar o som estanho
da violência, pode ser... Quanto à sexualidade, bem... penso
que tudo gira em torno do sexo e você pode viver ou morrer pelo
sexo, o que significa que o sexo é um dos grandes motores do mundo,
uma problemática que lidera outras coisas e eu não sei como,
mas eu amo essa temática e quero experimentar mais com isso e encontrar
outros modos de falar sobre isso de um modo criativo, eu não sei
se estou obsecado com isso ou se é apenas mais modo de buscar a
provocação...
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