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"Solteiro à procura de uma ninfeta nipônica"
Entrevista
com Petter Baiestorf
Perfil
da Figura:
Estado
Civil: Solteiro à procura de uma ninfeta nipônica.
Local de Nascimento: Canibal City
Religião: Não tenho
Preferências Sexuais: Ninfetas/garotas entre 15 e 18
aninhos. Taras diversas.
Prazeres Etílicos: Cerveja/vinho/pinga/etc...
Você
se lembra quando pegou uma câmera de vídeo pela primeira
vez? Como foi?
A primeira vez que encostei
numa câmera foi quando fiz a fotografia do "Monstro legume do espaço",
já que em meus filmes anteriores quem fazia o trabalho de câmera
era o Leandro Dal Cero. Antes do "Monstro legume" eu nunca tinha encostado
numa câmera...
Como
surgiu a idéia de fazer o primeiro vídeo?
Desde
87 eu queria fazer um filme. Tinha idéias e idéias só
que não conseguia realizá-las. Em 92, após uns pileques
de caipirinha, reuni meus amigos de segundo grau (Toniolli, Braun, Bratz,
Dal Cero, Massola, Wazlawick, Kojoroski, etc...) e fomos pro mato fazer
o "Lixo cerebral vindo de outro espaço", que não conseguimos
terminar porque o cara que emprestou a filmadora não foi mais.
Aí, em 93, reunímos o mesmo pessoal e rodamos o "Criaturas
hediondas", um longa bagaceiro chinelão que destrói com
os filmes de ficção dos anos 50... É um trashão...
Na epóca, quem assistiu se divertiu com o dito cujo. Mas o filme
é uma ruindade só...
Como
e quando surgiu a Canibal Produções?
Em 91/92 eu editava uns zines ("Arghhh" e "Necrofilia") com
textos e HQs de horror usando o nome Canibal Produções.
O nome acabou pegando e ficou conhecido entre os alternativos
brasileiros. E aí, seguimos em frente.

Quem são os outros Canibais?
Os outros Canibais
que iniciaram comigo em 92, e ainda estão na ativa,
são: E.B.Toniolli, Airton Bratz, Leandro Dal Cero e Cláudio
Baiestorf. Em 95 surgiram o Carli Bortolanza, Jorge Timm, Onésia
Liotto, César Souza, Elio Copini e Ivan Pohl, que continuam colaborando
até hoje. Agora nos últimos dois filmes que fiz ("Zombio"
e "Raiva") surgiram novos colaboradores que se enturmaram e possuem o
espírito Canibal de viver, que são: Rose de Andrade, Claudia
De Sordi, Art Tatoo, PC, Giseli DS, Eder Meneghini, Rogério Breuning,
Schitz, Nelson Reinheimer. Esta turma toda
citada é quem faz a Canibal Produções continuar ativa
já há 10 anos. Sem contar nomes conhecidos do underground
brasileiro que começaram na Canibal e que são "crias" dela,
como José Salles (seu debut foi no longa Canibal "Blerghhh"), Denise
V. (também estreiou no "Blerghhh"), Susana Mânica (fez sua
estréia no "Montro Legume do Espaço"), Rogério Baldino
(conhecido como o diretor do curta "Fatman & Robada", fez sua estréia
na canibal trabalhando no making of do longa "Caquinha Superstar a go-go")
e as "crias" diretas da Canibal que começaram a fazer filmes inspirados
em nós: Boni Coveiro (seus dois primeiros filmes foram produzidos
pelo Toniolli), Cleiner Micceno (seus primeiros curtas forma editados
por mim e o Bortolanza) e Dennison Ramalho (seu primeiro curta "Nocturnus"
foi co-produzido pela Mabuse Prod., parte da Canibal Produções)
com efeitos gores realizados pelo Bortolanza e César Souza (Gore
G.G. Efeitos) no qual, no elenco principal, eu e a Denise V. estamos.
Qual é a proposta da Canibal Produções?
Esculhambar com tudo... Se divertir, beber, foder,
filmar bobagens e avacalhar com as crenças dos outros sem respeitar
nada. Nossa proposta é não se levar a sério e rir
da cara de quem gosta das nossas tralhas.
Quais foram, ou quais são, as suas influêcias fílmicas?
Minhas influências sempre foram John Waters,
Lloyd Kaufmann da Troma e Russ Meyer, nos EUA. Lucio Fulci, Jesus
Franco e Joe D'Amato na Europa. E atualmente minha maior influência
está sendo os filmes asiáticos realizados por gênios
como Koji Wakamatsu, Izou Hashimoto, Shozin Fukui, Kazuo Komizu, Kazuyoshi
Kumakiri, entre outros não descobertos no ocidente.
O
que foi a polêmica "fase 98"?
A "fase 98" iniciou na verdade em 97, quando eu e o Bortolanza
realizamos o curta "Deus, o matador de sementinhas",
pela Caos Filmes. Depois, já em
98, Jorge Timm e Cesar Souza se juntaram a nós dois para fazer
o curta "Boi bom" e os dois longas transgressivos: "Gore gore gays" e
"Sacanagens bestiais dos arcajos fálicos". Com esses filmes nossa
intenção era chocar e esculhambar com tudo e todos. Esses
filmes são únicos na filmeografia brasileira de todos os
tempos. Por mim eu realizaria novos e mais furiosos filmes deste gênero,
mas como eles custam bastante e dão retorno finaceiro completamente
nulo, estou deixando-os de lado para realizar filmes mais lucrativos...
Como
é fazer Gore, Splatter, Trash em vídeo no Brasil?
Você acha que é possível
transformar esta atividade em um negócio rentável, ou é
tudo amor à camiseta mesmo?
Filmes Gore no Brasil possuem um público fiel
e, acreditem, não é tão pequeno assim... Com um belo
sistema de distribuição daria um lucro enorme, já
que o custo é extremamente barato. Veja por exemplo o média
"Zombio", que custou apenas R$ 300 para a Canibal e
rendeu uns R$ 2000 com uma distribuição vagabunda feita
nas coxas por mim mesmo com vendas pelo correio e exibições
em bares/shows de bandas Psychobillies e Splatters. Mas deveria existir
mais produtoras no estilo da Canibal, que é uma produtora que manda
todo mundo se foder e pronto. Seja o que for... Ou está na panelinha
ou vai mendigar as sobras dos cineastas metido a sério no Brasil.
Você
conhece outros produtores brasileiros que trabalham nesta linha?
Tem o Cleiner Micceno que fez filmes bons; José Salles está
encontrando um estilo de filmar que me agrada; vocês da Brócolis
VHS que são uma agradável surpresa; no Rio Grande do Sul
tem o Cristian Verardi e o Gustavo Cavinatto que são legais e fizeram
uns médias gores bem divertidos. Ainda vai ficar bom daqui uns
10 anos, com esse pessoal dando continuidade aos seus trabalhos e surgindo
uma nova geração de filhos da puta filmadores que tenham
coragem de avacalhar com tudo...
Através
de toda história da Canibal Produções, como você
tem percebido a relação do público diante
de seus trabalhos?
Meus filmes mais cultuados são "O monstro legume do espaço",
"Eles comem sua carne", "Blerghhh", "Chapado", "Zombio" e
agora o "Raiva" parece estar seguindo o mesmo caminho. "Gore
gore gays e "Sacanagens bestiais dos arcanjos fálicos" são
bastante discutidos mas pouco assistidos. São cultuados
por poucas pessoas. As reações do público que os
assistem são as mais variádas possíveis, da repulsa
até os aplausos. No ano passado, o "Gore gore gays" foi exibido
em uma Universidade em Porto Alegre - RS, e logo após a sessão
os responsáveis pela exibições do filme foram suspensos
por uma semana por terem exibido-o.
Onde
os vídeo da Canibal são normalmente exibidos?
Em bodegas, shows de splatterporngore grind
bands e em mostras de filmes independentes. E quem não conseguiu
vê-los ainda, pode encomendar comigo pela Caixa Postal 67 Palmitos-SC
CEP 89887-000 Brasil.
Fale-nos
um pouco sobre "Raiva", seu trabalho mais recente...
É um filme policial com humor negro, cenas gores e surreais espalhadas
por toda sua trama. A produção dele é bem elaborada
e realizamos alguns feitos inéditos até então em
filmes feitos em vídeo no Brasil, como a explosão de um
carro e outras barbaridades...
Deixe
um recado final para nossos leitores...
Assistam filmes undergrounds, façam os seus próprios, visitem
nosso site e bebam cerveja!!!
Contatos:
Canibal
Produções - A/C Petter Baiestorf
Caixa Postal 67. Palmitos - SC. CEP 89887- 000
Videografia
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