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O
que é e quem é a X-Plastic?
Três vagabundos, onanistas,
que cansaram de gastar dinheiro na Rua Augusta (Tieta!!!!) e resolveram
ganhar algum vendendo calcinhas usadas, vídeos, fotos, camisetas, calcinhas
novas. Não somos nem pretendemos ser artistas, o que a gente faz é pornografia
básica, direta, suja, porca e perversa.
E
o que vocês entendem por "pornografia básica,
direta, suja, porca e perversa"?
Básica: É pra olhar e, se você se identificar com o que vê,
se excitar.
Direta: Saber do que se trata (sexo) nos primeiros segundos.
Suja: Tudo o que está no lugar errado pode ser chamado de sujeira,
macarrão no prato é comida, no chão é sujeira. Sexo só é bom quando deixa
resíduos em lugares diversos. Por isso tomamos banho e lavamos os lençóis
depois de uma ou mais trepadas. Sendo assim, quando o assunto é sexo sujeira
é um elogio. E é sempre bem vinda.
Porca: É a pessoa que faz muita sujeira, vide comentários acima!
Perversa: Aí vai no sentido popular da palavra, de coisas que não
deveriam ser feitas, que são de alguma forma consideradas um desvio de
comportamento.
Como e quando surgiu a X-plastic?
Em 1995 a gente tinha uma banda, e entre as músicas
sempre falávamos de pornografia, vivíamos procurando uma garota pra fazer
vocal, mas na verdade a gente queria alguém pra comer nos intervalos dos
ensaios. Então achamos melhor fazer vídeos pornográficos.
Então fazer vídeos pornográficos seria um modo
de comer mulheres?
É um meio a mais de comer mulheres. Nós não comemos, nem pretendemos
comer, todas as mulheres que gravam com a gente. Mas gravar um video é
uma situação de proximidade que pode levar a uma foda. Como também pode
não levar a nada. E ter uma vocalista gostosa era só um delírio onanista.
Como rolam os vídeos da X-plastic? Como vocês
chegam nas minas?
Cada uma é de um jeito, a gente pode abordar na rua, mandar um e-mail,
ou ser apresentado por alguém que já conhecia as garotas. Durante o vídeo
tem sempre os momentos iniciais mais tensos, mas depois todo mundo relaxa
e dá tudo certo.
Como
vocês vêem as relações de poder e de gênero dentro do universo pornográfico?
Se a gente pensar no que os vídeos ou filmes apresentam, a
forma como mostram as personagens, então eu acredito que esta relação
se equilibra quando mostra, em todas as culturas, mulheres e homens se
alternando em papéis submissos e dominadores. Mas se pensarmos nos bastidores
da indústria pornográfica, é como em qualquer organização, com os mesmos
conflitos de interesses, com um agravante: a maior parte dos proprietários
de empresas que produzem pornografia são homens, a maior parte dos diretores
são homens e a maior parte dos consumidores também são homens. Enquanto
o número de mulheres atuando nos vídeos é muito superior ao número de
homens. Mas isso da assunto pra muitas páginas...
Falem mais sobre as experiências realizadas com as atrizes.
A experiência é sempre, ou quase sempre, profissional, a gente
passa um roteiro, as garotas analisam e dizem o que acham, a gente sempre
considera o que elas realmente gostam de fazer porque assim os vídeos
ficam mais naturais. O vídeo com a Lali foi uma exceção, porque a gente
acabou "brincando" um pouco com ela no final. Mas nem
sempre acontece...
Antônio
Paulo Galante, um diretor de filme pornô
das antigas,
certa vez declarou: "Pra mim, mulher que trabalha em pornochanchada não
é atriz". O que vocês acham dessa frase?
A
pornografia é democrática, qualquer pessoa pode participar de alguma forma
de manifestação pornográfica. Até sem querer, como nas fotos de flagra,
onde garotas descendo de carros ou usando banheiros são atrações pornográficas.
Ou seja, não precisa ser atriz pra fazer pornografia, mas nada impede
que atrizes façam pornografia. Provavelmente este diretor quis provocar
as mulheres que atuavam nas pornochanchadas com esta declaração. Mas se
a gente comparar algumas atrizes que trabalhavam em pornochanchada com
as novidades globais que temos hoje acho que ele não tinha razão no que
disse. As garotinhas virgens de hoje são atrizes de última linha e estão
ai cheias de prestígio.
Contem
melhor essa história de "infância cheia de revistas pornográficas e vizinhas
atrevidas". Enfim, como foi essa entrada no mundo da pornografia?
Revista pornô todo mundo começou a ler antes do 10 anos, vídeo
entre 12 e 14 anos, sempre escondido. As vizinhas influenciaram por ficarem
lavando o quintal com shorts enfiado na bunda, entrando em casa descalças
pra pedir alguma coisa. Nossa entrada no mundo da pornografia foi nas
festas cobiçando e filmando as bundas enquanto achavam que estávamos filmando
a festa. Oficialmente foi com o vídeo "Plastic Lesbian", uma animação
escrota com Barbies do Paraguai e trechos de vídeos pornográficos, com
este vídeo a gente participou do Festival Mix Brasil de 1998. Em 1999
gravamos com a Estela Santos.
Como anda o circuito da pornografia caseira?
Tem muita gente fazendo e trocando vídeos através de anúncios
de revistas, mas são vídeos geralmente de câmera parada, sem roteiro,
só pessoas transando. A gente já chegou a trocar vídeos com pessoas que
fazem e gostam de amadores, mas pretendemos fazer outro tipo de vídeos.
Quais são os vídeos de referência da X-plastic? O que vocês assistem?
A unanimidade é Buttman, o mestre. O Tatão gosta de Joey Silveira
e a série Big Ass She-Male, e do Rocco com a série True Anal Stories,
e tudo do Van Damage. O Marcelo gosta dos vídeos dirigidos por Patrick
Collins e da série "Talk it to the limit". O Ruy gosta das séries só com
garotas, Buttwoman, Buttslammers, e do vídeo "Buttman Toy Stories". Muita
influência da gente hoje vem da internet, de sites como www.bangbus.com,
www.taschen.com, www.supercult.com,
www.suicidegirls.com e www.nerve.com.
Infelizmente no Brasil não tem nenhum site adulto que não seja idiota,
a única exceção é o site da revista Trip. Nossa influência em revistas
são a Leg Show Magazine e os livros da Taschen, principalmente Elmer Batters,
Roy Stuart, Richard Kern e outros.
Novas
produções no horizonte?
Sim, muitas. Dentro do fetiche por pés, a gente vai lançar
a série "Caçando Pezinhos", onde nós três sairemos pelas ruas procurando
garotas em situações reais onde os pés despertem atenção. Como estudantes
com melissinhas, professoras de salto alto, garotas de sandálias no metrô,
meninas de coturno num show qualquer...será nossa série no estilo Gonzo.
E vamos continuar com os outros vídeos e documentários para o Fanzine
Judith Blair. Nós queremos em nossos vídeos garotas mais próximas
do dia-a-dia de uma cidade grande: punks, góticas, indies, nerds, enfim
garotas que são sensuais sem precisar parecer com uma dançarina de pagode.
Deixem
um recado para nossos leitores.
Visitem o site http://www.xplastic.hpg.com.br
, comprem os vídeos e as calcinhas usadas. Caiam na putaria e usem o corpo
sem medo, porque o tempo é curto.
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