Brócolis VHS entrevista X-Plastic
"Pornografia básica, direta, suja, porca e perversa"


Apesar da pinta de "rock stars", a X-Plastic é uma produtora de vídeos pornôs caseiros
formada pelo Ruy, Marcelo e Tatão. O trio (que na falta de mulher começou gravando bonecas Barbies paraguaias) já registrou as performances eróticas de Estela Santos, Lali, Josie e Sabrina Saint, injetando criatividade e fetiche na cena pornográfica doméstica. Atualmente, a X-Plastic perambula pelas ruas paulistanas em busca de pézinhos para o deleite do olhar iniciado, dando continuidade aos projetos podólatras (que incluem o vídeo Lov*Feet, co-produzido com a Brócolis) e à venda de calcinhas, usadas ou não. Confira, abaixo, a entrevista e os vídeos da X-Plastic!

 

Plastic Lesbian: a primeira produção da X-Plastic, realizada com bonecas Barbies.O que é e quem é a X-Plastic?
Três vagabundos, onanistas, que cansaram de gastar dinheiro na Rua Augusta (Tieta!!!!) e resolveram ganhar algum vendendo calcinhas usadas, vídeos, fotos, camisetas, calcinhas novas. Não somos nem pretendemos ser artistas, o que a gente faz é pornografia básica, direta, suja, porca e perversa.

E o que vocês entendem por "pornografia básica, direta, suja, porca e perversa"?
Básica: É pra olhar e, se você se identificar com o que vê, se excitar.
Direta: Saber do que se trata (sexo) nos primeiros segundos.
Suja: Tudo o que está no lugar errado pode ser chamado de sujeira, macarrão no prato é comida, no chão é sujeira. Sexo só é bom quando deixa resíduos em lugares diversos. Por isso tomamos banho e lavamos os lençóis depois de uma ou mais trepadas. Sendo assim, quando o assunto é sexo sujeira é um elogio. E é sempre bem vinda.
Porca: É a pessoa que faz muita sujeira, vide comentários acima!
Perversa: Aí vai no sentido popular da palavra, de coisas que não deveriam ser feitas, que são de alguma forma consideradas um desvio de comportamento. X-Plastic

Como e quando surgiu a X-plastic?
Em 1995 a gente tinha uma banda, e entre as músicas sempre falávamos de pornografia, vivíamos procurando uma garota pra fazer vocal, mas na verdade a gente queria alguém pra comer nos intervalos dos ensaios. Então achamos melhor fazer vídeos pornográficos.

Então fazer vídeos pornográficos seria um modo de comer mulheres?
É um meio a mais de comer mulheres. Nós não comemos, nem pretendemos comer, todas as mulheres que gravam com a gente. Mas gravar um video é uma situação de proximidade que pode levar a uma foda. Como também pode não levar a nada. E ter uma vocalista gostosa era só um delírio onanista.

Como rolam os vídeos da X-plastic? Como vocês chegam nas minas?
Cada uma é de um jeito, a gente pode abordar na rua, mandar um e-mail, ou ser apresentado por alguém que já conhecia as garotas. Durante o vídeo tem sempre os momentos iniciais mais tensos, mas depois todo mundo relaxa e dá tudo certo.

Josie beija o sapato de salto alto de Sabrina Saint em Histórias Sujas 01.Como vocês vêem as relações de poder e de gênero dentro do universo pornográfico?
Se a gente pensar no que os vídeos ou filmes apresentam, a forma como mostram as personagens, então eu acredito que esta relação se equilibra quando mostra, em todas as culturas, mulheres e homens se alternando em papéis submissos e dominadores. Mas se pensarmos nos bastidores da indústria pornográfica, é como em qualquer organização, com os mesmos conflitos de interesses, com um agravante: a maior parte dos proprietários de empresas que produzem pornografia são homens, a maior parte dos diretores são homens e a maior parte dos consumidores também são homens. Enquanto o número de mulheres atuando nos vídeos é muito superior ao número de homens. Mas isso da assunto pra muitas páginas...

Falem mais sobre as experiências realizadas com as atrizes.
A experiência é sempre, ou quase sempre, profissional, a gente passa um roteiro, as garotas analisam e dizem o que acham, a gente sempre considera o que elas realmente gostam de fazer porque assim os vídeos ficam mais naturais. O vídeo com a Lali foi uma exceção, porque a gente acabou "brincando" um pouco com ela no final. Mas ne
m sempre acontece...

Dossiê Estela Santos - Analógica Digital

Antônio Paulo Galante, um diretor de filme pornô das antigas, certa vez declarou: "Pra mim, mulher que trabalha em pornochanchada não é atriz". O que vocês acham dessa frase?

A pornografia é democrática, qualquer pessoa pode participar de alguma forma de manifestação pornográfica. Até sem querer, como nas fotos de flagra, onde garotas descendo de carros ou usando banheiros são atrações pornográficas. Ou seja, não precisa ser atriz pra fazer pornografia, mas nada impede que atrizes façam pornografia. Provavelmente este diretor quis provocar as mulheres que atuavam nas pornochanchadas com esta declaração. Mas se a gente comparar algumas atrizes que trabalhavam em pornochanchada com as novidades globais que temos hoje acho que ele não tinha razão no que disse. As garotinhas virgens de hoje são atrizes de última linha e estão ai cheias de prestígio.

Plastic LesbianContem melhor essa história de "infância cheia de revistas pornográficas e vizinhas atrevidas". Enfim, como foi essa entrada no mundo da pornografia?
Revista pornô todo mundo começou a ler antes do 10 anos, vídeo entre 12 e 14 anos, sempre escondido. As vizinhas influenciaram por ficarem lavando o quintal com shorts enfiado na bunda, entrando em casa descalças pra pedir alguma coisa. Nossa entrada no mundo da pornografia foi nas festas cobiçando e filmando as bundas enquanto achavam que estávamos filmando a festa. Oficialmente foi com o vídeo "Plastic Lesbian", uma animação escrota com Barbies do Paraguai e trechos de vídeos pornográficos, com este vídeo a gente participou do Festival Mix Brasil de 1998. Em 1999 gravamos com a Estela Santos.

Como anda o circuito da pornografia caseira?
Tem muita gente fazendo e trocando vídeos através de anúncios de revistas, mas são vídeos geralmente de câmera parada, sem roteiro, só pessoas transando. A gente já chegou a trocar vídeos com pessoas que fazem e gostam de amadores, mas pretendemos fazer outro tipo de vídeos.
Josie e Sabrina Saint divertem-se em Histórias Sujas 02.

Quais são os vídeos de referência da X-plastic? O que vocês assistem?
A unanimidade é Buttman, o mestre. O Tatão gosta de Joey Silveira e a série Big Ass She-Male, e do Rocco com a série True Anal Stories, e tudo do Van Damage. O Marcelo gosta dos vídeos dirigidos por Patrick Collins e da série "Talk it to the limit". O Ruy gosta das séries só com garotas, Buttwoman, Buttslammers, e do vídeo "Buttman Toy Stories". Muita influência da gente hoje vem da internet, de sites como www.bangbus.com, www.taschen.com, www.supercult.com, www.suicidegirls.com e www.nerve.com. Infelizmente no Brasil não tem nenhum site adulto que não seja idiota, a única exceção é o site da revista Trip. Nossa influência em revistas são a Leg Show Magazine e os livros da Taschen, principalmente Elmer Batters, Roy Stuart, Richard Kern e outros.

Histórias Sujas 02Novas produções no horizonte?
Sim, muitas. Dentro do fetiche por pés, a gente vai lançar a série "Caçando Pezinhos", onde nós três sairemos pelas ruas procurando garotas em situações reais onde os pés despertem atenção. Como estudantes com melissinhas, professoras de salto alto, garotas de sandálias no metrô, meninas de coturno num show qualquer...será nossa série no estilo Gonzo. E vamos continuar com os outros vídeos e documentários para o Fanzine Judith Blair. Nós queremos em nossos vídeos garotas mais próximas do dia-a-dia de uma cidade grande: punks, góticas, indies, nerds, enfim garotas que são sensuais sem precisar parecer com uma dançarina de pagode.

Dossiê Estela Santos - Analógica DigitalDeixem um recado para nossos leitores.
Visitem o site http://www.xplastic.hpg.com.br , comprem os vídeos e as calcinhas usadas. Caiam na putaria e usem o corpo sem medo, porque o tempo é curto.

 

 

 

 
Video Peep Show !
     
 

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