Entrevista com Fábio Cascaes

Programa Estúdio 36.  TV Com. Joinville - SC.  22/08/2000

Como surgiu a idéia de fazer o MoViAJ?

Pela curiosidade, através de programas de TV. Na TV Educativa vi filmes de curta-metragem, que é uma linguagem que traz uma idéia muito rápida, e eu pensei: porque não trazer isto pro VHS, que é algo que está tão a mão e que é utilizado para gravar festa de aniversário, casamento... Então, porque não usar isto para algo mais produtivo?


Aí você usou um meio que é seu trabalho, o computador e a Internet, para começar a divulgar esta idéia. É isso?

Exatamente, foi o grande alavancador. A idéia surgiu em agosto do ano passado, a página entrou no ar em outubro de 1999, e até dezembro nós tivemos aproximadamente uns 40 contatos com pessoas que produzem pelo Brasil, ou que estavam interessadas em começar a produzir. Este ano foi praticamente para a organização e a maioria dos contatos realmente foram feitos graças a Internet, por isso tantos trabalhos de fora. A gente têm trabalhos de 4 estados além de Santa Catarina, seriam: Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.


São os locais onde acontecem maiores concentrações, vamos dizer assim, com os produtores querendo mostrar seus trabalhos?

Sim. Fora estes estados, nós tivemos trabalhos vindo do Amazonas, Paraná e o pessoal do centro do país. Muita gente entrou em contato, porém a organização demorou entre o contato e em se tornar realidade... Mas para o ano que vem nós devemos pegar todo esse pessoal novamente.


Você buscou uma equipe para fazer a organização do evento?

A organização foi montada por um grupo de seis amigos, e a gente buscou divulgar enquanto pode, sozinhos, sem procurar um apoio até por falta de tempo pra isso. Todos nós estudamos e trabalhamos, então foi almoço, sábados à tarde e tudo mais... No final, a gente terminou pedindo o apoio da UNIVILLE, que cedeu o local, o material gráfico e está apoiando também com os debatedores.


Como é que os trabalhos vão ser julgados?

Não é uma mostra competitiva. A nossa proposta é justamente diferente porque não é competitiva... Por que a gente decidiu que não deveria ser uma competição? Para realmente as pessoas não terem medo de se exporem. O meu trabalho não é pior ou melhor que o do outro, são trabalhos diferentes, cada qual com o seu "it".


Em que linha tem mais trabalhos inscritos?

Experimentais. O pessoal sempre tem uma crítica por trás do vídeo, às vezes são experimentos de imagem, de som ou de roteiro.


E Santa Catarina, Joinville, tem bastante vídeos inscritos?

Santa Catarina tem 19 vídeos inscritos, sendo 9 de Joinville, onde temos em torno de 5 produtores.


E você já se encantou por essa área? Vai tentar?

A intenção era ter 1 ou 2 vídeos, um que eu ia produzir junto a um amigo, e outro de animação que eu ia fazer sozinho. Mas com a organização ficou impossível, como o tempo já era escasso, ainda produzir alguma coisa .... É algo que necessita de dedicação, se você não se dedica não vai chegar no resultado que você quer, e que lhe deixe satisfeito.


Vocês criaram um novo espaço para as pessoas mostrarem seus trabalhos. Como é que foi este retorno para vocês?

As pessoas desde o princípio demonstraram-se muito interessadas, mesmo quem nunca tinha feito nada, mesmo quem não sabia que o vídeo existia. Elas se sentem curiosas nesta posição de criador: "eu vou transmitir o que penso, eu vou passar a minha mensagem...". E quanto ao espaço o pessoal de Joinville tem falado muito que é bom e que precisamos ampliá-lo. É algo que, embora a gente tivesse produtoras, não existia espaço, e foi o que eu pude colher: muita gente produz pelo Brasil só que não existe um encontro, não existe um aglutinador.


Produz mas também é mais a parte comercial. E a linha "poética"?

Temos vários temas. Há produtoras que realmente fazem trabalho comercial e têm sua divulgação por que só produzem para aquilo que são contratadas. Os produtores que cito são pessoas que fazem vídeo por prazer, porém às vezes seus trabalhos ficam restritos aos amigos, à família, faculdade, ou então temos produtores que têm uma integração com as locadoras, e que deixam lá seus vídeos para ter um público maior. Ainda assim ficam restritos a própria cidade. Principalmente falando em VHS, que normalmente não é aceito nas grandes mostras que tem como requisito a finalização em outros formatos.


Foi feita uma seleção de trabalhos para o MoViAJ?

Não. A gente só considerou que se o vídeo chegasse a tempo de ser encaixado na programação, ele estaria dentro. Mais um dos fatores para incentivar. A intenção é manter realmente esta linha, para que o público tenha condições de assistir todos as formas, desde a variação de qualidade, até a variação de temas.  

 

 

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