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Por uma graça alcançada Texto
sobre a exposição realizada no Espaço Átrio Cultural - Dezembro de 1999.
Rio Grande - RS Mariana Meloni é formada em Antropologia pela UNICAMP e Leandro Vieira em Educação Artística pela FURG. Não restritos ao meio acadêmico, já participaram de workshops com o cineasta José Mojica Marins (Zé do Caixão) e com a videasta Sandra Kogut. Apresentando, em meio ao ecletismo de suas realizações, uma preocupação com determinadas ações cotidianas, Mariana e Leandro valem-se dessa experiência para montar a sua identidade utilizando o recurso de uma câmera de vídeo. No momento, as vídeo-correspondências, que ambos mantém, mostram esse interesse em constituir retratos que permeiam desejo e paixão. O trabalho Por uma graça alcançada levanta questões relativas ao desejo e a um sistema de trocas. Constituído por uma pintura, uma projeção em vídeo e 1000 folhetos impressos e idênticos (com a imagem de um santo e uma oração no verso), este trabalho é apresentado como uma instalação. Todos os elementos foram escolhidos e organizados de modo a interagirem no espaço arquitetônico. A imagem contida nos folhetos é a de Santo Expedito, 'o santo das causas urgentes'. A pintura configura-se como uma leitura penitente do primeiro folheto encontrado, enquanto a projeção de vídeo apresenta a aquisição dos folhetos e todas as atividades que fazem parte de um ritual de devoção. Os mil folhetos instalados ficam a disposição dos espectadores, para que possam recolhê-los e fazerem deles veículos de seus desejos. Em
outras palavras, este trabalho traz para dentro deste espaço
cultural uma atividade marcante em nosso cotidiano que é a promessa
religiosa, economia da penitência. O devoto sempre deverá pagar de algum
modo a graça alcançada. Por outro lado, o sagrado é disposto e ofertado
como um souvenir cujo o valor confunde-se com qualquer outro material de divulgação.
Sagrado e profano confundem-se. Este trabalho apresenta-se como um processo
cuja a origem e extensão não podemos delimitar, tornando impossível abordá-lo
como uma obra acabada. Os folhetos produzem aberturas no conjunto do trabalho,
dando continuidade a esse processo.
Aqui não visualiza-se apenas uma proposta de recorte e representação de
uma realidade cotidiana, mas essencialmente um convite à participação
desta realidade que se apresenta.
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